O desafio de todos por um trânsito mais seguro.

O desafio de todos por um trânsito mais seguro

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Na década de 1950, a malha rodoviária brasileira estava em plena expansão, e os incentivos à indústria automotiva faziam crescer exponencialmente a frota de carros no país, que hoje se aproxima de 90 milhões de veículos. Foi nesse contexto que surgiu a Campanha Nacional Educativa do Trânsito, que salientava a importância da educação como forma de prevenir e de erradicar fatalidades nas vias. Quase 50 anos depois, o tema da prevenção a acidentes é mais urgente do que nunca e integra um esforço global para melhorar a preparação dos motoristas e aprimorar as condições de segurança.

Em linha com a “Década das ações de segurança no trânsito”, lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e com a Segunda Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito, que aconteceu em Brasília, em 2015, a Semana Nacional do Trânsito deste ano, celebrada de 18 a 25 de setembro, ressaltou a colaboração de cada indivíduo para fazer do trânsito um ambiente mais seguro e humano. Por isso, continua atual a necessidade de investir na educação e na formação de motoristas mais bem preparados e conscientes, inclusive porque esse é um dos pontos focais dessas iniciativas e serviu de estímulo para algumas das resoluções adotadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) nos últimos anos.

Uma das maneiras de aprimorar os sistemas de ensino nas autoescolas surgiu com a inclusão de simuladores de direção veicular como parte do processo para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Essa medida é um exemplo de como as novas tecnologias têm contribuído para a preparação de melhores condutores. Desde que o uso desses equipamentos passou a ser obrigatório no Brasil, há resultados positivos crescentes, de Norte a Sul do país.

Rio Grande do Sul e Acre foram os primeiros estados brasileiros a determinar que o uso de simuladores de direção seria obrigatório na etapa pré-prática de formação de condutores. No Acre, o índice de reprovação dos aspirantes a motoristas caiu 68% desde 2013, quando as aulas por meio de simulação passaram a ser aplicadas, conforme dados do Detran local. Hoje, o Rio Grande do Sul é um exemplo de como os simuladores são capazes de transformar a educação no trânsito, contribuindo para a formação de motoristas mais conscientes e preparados. No estado o número de mortes em acidentes de trânsito caiu 20% nos últimos cinco anos, especialmente em 2015, após a adoção dos equipamentos de simulação. Além desses índices, não se pode desconsiderar que menos vítimas de acidentes nos hospitais significam a desoneração expressiva de serviços públicos e privados.

O debate ainda está vivo e, com o passar dos anos, percebe-se que a iniciativa do Contran foi bastante acertada. Ela introduz no ensino situações difíceis de reproduzir no ambiente real, como a condução sob o efeito do álcool, direção noturna, visão parcial devido à neblina, entre outros cenários, como mostrar os riscos de conduzir e dividir a atenção ao manusear o celular. Soma-se a isso o efeito bastante realista, que permite uma experiência quase fidedigna, que prepara o aluno para enfrentar as ruas com todos os recursos necessários para uma aula prática mais efetiva. Possibilita conhecimento e preparo para uma atividade mais consciente quando assumir a condução de um veículo pelas vias públicas.

Que possamos fazer um autoexame sobre o tipo de motoristas que somos e, principalmente, qual queremos ser. Ele deve partir da preparação proporcionada pelos Centros de Formação de Condutores (CFCs) e chegar até a maneira que aplicamos esses ensinamentos em nossa conduta como motoristas. A tecnologia é uma maneira de confrontar causa e efeito, antes que eles se manifestem na realidade, e estimula uma postura reflexiva sobre os impactos da atitude de cada um para tornar o trânsito um ambiente seguro. Afinal, esse deve ser um compromisso a ser assumido por todos.

FONTE: http://www.onsv.org.br/artigos/aartigo-sobre-desafio-de-todos-por-um-transito-mais-seguro/

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